A importância das vacinas na prevenção de doenças - uma questão de responsabilidade social

Publicado: 01/08/2018 Por: Laboratório de Conteúdo

As vacinas são um dos grandes feitos da saúde pública do século 20. Depois da água potável, elas são as intervenções que mais reduziram a mortalidade, mais até do que os antibióticos. As vacinas erradicaram doenças terríveis do planeta, como a varíola, e conseguiram reduzir, significativamente, a mortalidade causada por várias doenças, como o sarampo, coqueluche, poliomielite, meningite, tétano, entre outras. Doenças que na década de 1980 causaram 5,5 mil óbitos de crianças de até 5 anos no Brasil. Em 2009, foram 50 óbitos.

Antes de existirem as vacinas, várias doenças infecciosas matavam milhões de pessoas por ano ao redor do mundo. Durante a epidemia de gripe de 1918, 50 milhões de pessoas morreram. No início do século XX, a poliomielite era endêmica no Brasil, causando elevado número de mortes e milhares de pessoas ficaram com danos neurológicos graves. Em 1994, nosso país recebeu a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Por isso é fundamental a manutenção elevada das coberturas vacinais, acima de 95%. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, três países ainda são considerados endêmicos, o Paquistão, a Nigéria e o Afeganistão.

Apesar dos números inegáveis que demonstram a eficácia e importância das vacinas, cresce o número de pessoas que se recusam a vacinar seus filhos, fomentando um movimento perigoso que pode trazer de volta doenças como o sarampo e a poliomielite.

Em tempos de excesso de informações e superficialidade de conteúdos, muitas pessoas em todo o mundo, principalmente na Europa, vem aderindo a um movimento conhecido como anti-vacina. Seja por questionarem a segurança da vacina, por temerem seus efeitos colaterais, ou por acreditarem que não estão suscetíveis às doenças, estes grupos estão crescendo a cada dia.

Especialistas explicam que a vacina, como qualquer outro medicamento, pode trazer eventos adversos. No entanto, eles são infinitamente mais leves do que as doenças e suas possíveis sequelas. As doenças preveníveis pelas vacinas podem, por exemplo, causar cegueira, retardar o desenvolvimento, provocar surdez e até paralisia infantil, meningite e pneumonia. São doenças graves que muitas vezes levam à internação e a sérias consequências. Já eventuais reações causadas pelas vacinas podem ocorrer pela própria resposta do organismo, que está criando anticorpos contra aquela enfermidade e mostrando que, se estiver vacinado, estará mais preparado para enfrentar a doença caso ela apareça.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil oferece todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente, são disponibilizadas pela rede pública de saúde, de todo o país, cerca de 300 milhões de doses por ano, para combater mais de 19 doenças, em diversas faixas etárias. Este programa eliminou o sarampo e o tétano neonatal, além do controle de outras doenças imunopreveníveis como a difteria, coqueluche, tétano acidental, hepatite B, meningites, formas graves da tuberculose e rubéola, assim como a manutenção da erradicação da poliomielite.

Assim, devemos atentar para a seguinte situação: as pessoas que estão vacinadas não estão apenas se protegendo, mas ao impedir a disseminação da doença, dentro da comunidade, estão, indiretamente, protegendo as pessoas dessa comunidade que não estão vacinadas. Elas criam uma espécie de escudo protetor que as protegem de entrarem em contato com a doença, assim elas ficam protegidas. Esta proteção indireta, que as pessoas não vacinadas recebem simplesmente por estar cercadas por pessoas vacinadas, se chama imunidade coletiva. Muitas pessoas na comunidade dependem, quase que exclusivamente, dessa imunidade coletiva para se proteger contra doenças. Essas pessoas podem ser nossos filhos que talvez sejam muito novos para ter tomado as primeiras vacinas, ou talvez nossos sobrinhos, ou nossos irmãos, pais, conhecidos que talvez tenham uma doença ou tomam remédios que diminuem suas defesas. Existem também pessoas que são alérgicas a uma determinada vacina, bem como pessoas vacinadas, mas que a vacina não produziu o efeito esperado, porque nem todas as vacinas são 100% efetivas. Todas essas pessoas dependem, necessariamente, da imunidade coletiva para se proteger contra doenças.

Para se conseguir o efeito da imunidade coletiva, é necessário que uma porcentagem da população esteja vacinada. Esta porcentagem é chamada de limiar. Se a porcentagem da população em uma comunidade que está vacinada estiver abaixo desse limiar, a doença começará a ser transmitida livremente e poderá gerar um surto dentro da comunidade. Muitas doenças que estavam controladas podem reaparecer.

Assim, é fácil entender que a situação é bastante alarmante após o Ministério da Saúde do Brasil informar, recentemente, que 312 municípios brasileiros estão com cobertura vacinal abaixo de 50% para a poliomielite, doença já erradicada no país, onde o risco existe para todos os municípios que estão com coberturas inferiores a 95%. Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas conforme o esquema de vacinação de rotina e na campanha vacinal anual. É uma questão de responsabilidade social.

A vacinação é um ato de responsabilidade individual, mas tem um grande impacto coletivo. Se eu me vacino, não estou apenas me protegendo, mas também protegendo os outros.

Seja você um adulto ou um pai responsável pelos seus filhos, informe-se sobre o Calendário de Vacinação do Ministério da Saúde.

Faça a sua parte.

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